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Manifesto Naven

De Naven

“Algumas das mais importantes transformações ocorridas no campo da antropologia social ou cultural ao longo das três últimas décadas não parecem ter se refletido nem em seu ensino nem em suas formas institucionais de organização.“ (Manifesto AbaEté)


No ano de 1996 Tim Ingold auspiciosamente observara que parecia existir “uma distância cada vez maior entre a antropologia tal qual é praticada e o modo pelo qual a disciplina é publicamente apresentada e ensinada aos estudantes.”, um diagnóstico muito preciso da realidade de nossas instituições (salvo raras exceções). Ano após ano antropólogos são formatados em nossos cursos de graduação e pós-graduação sob a sombra de uma velha antropologia, ainda permeada por etnocentrismos ontológicos e oposições binárias, as quais são remodeladas e reapresentadas como novas por estes mesmos profissionais, formando assim um ciclo perfeito.
No cerne desta questão, amplamente influenciado pela Rede AbaEté de Antropologia Simétrica, literatura Pós-Situacionista e narrativa Zapping, é fundado o Coletivo Naven. Com o intuito de ceder e popularizar toda uma literatura contemporânea e inovadora a jovens antropólogos em formatação, procurando ainda estimular um debate interdisciplinar com historiadores, filósofos, escritores e artistas igualmente comprometidos com o estabelecimento de linhas de fuga para formas de “escrever culturas”.
O coletivo Naven procurará realizar isto mediante o estabelecimento de um Núcleo de Estudos livre e a elaboração sempre-constante de um texto multi-autoral no Wikia Naven, tanto o texto quando o núcleo serão embasados e autorizados por autores que apresentem apropriadas sistematizações e problematizações à antigas referências antropológicas e são abertos - e desejosos - a colaborações externas.
Acreditamos assim, que a Antropologia constitui e constitui-se (d)a matéria que contribui para que possamos aprender pela invenção, pela experimentação (Wagner, 1981), na medida em que suas teorias passem por revisões que ajudem no desenvolvimento de seus procedimentos analítico-metodológicos, como o bom trabalho de campo e todo o (re)conhecimento da diferença e de suas contradições. E é nesse sentido que procuraremos trabalhar.